A derrota do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos abriu espaço para um novo embate entre o presidente Donald Trump e o Congresso. Com os democratas conquistando maioria nas duas Casas legislativas, cresce a possibilidade de a oposição tentar abrir um processo de impeachment contra o chefe da Casa Branca. Apesar disso, especialistas avaliam que a retirada do presidente do cargo está longe de ser um cenário provável.CONTEÚDO RELACIONADODemocratas avançam no Congresso e impõem derrota a Trump nos EUAEleições dos EUA podem aumentar ataques de Trump a LulaEduardo Bolsonaro governado por PT de Talarico? Entenda o que ocorreuOs resultados divulgados até às 18h30 da última quarta-feira (04/11) indicavam 54 das 100 cadeiras do Senado para os democratas, contra 44 dos republicanos. Na Câmara dos Representantes, a oposição havia conquistado 237 vagas, enquanto os aliados de Trump somavam 139 deputados. Outras 59 cadeiras ainda estavam em disputa.Trump já enfrentou dois impeachments
A possibilidade de um novo processo não seria inédita na trajetória política do presidente. Durante seu primeiro mandato, Trump enfrentou dois impeachments, mas conseguiu permanecer no cargo após ser absolvido pelo Senado nas duas ocasiões.O primeiro procedimento começou em setembro de 2019, por suspeitas de abuso de poder e obstrução do Congresso. A investigação envolvia uma suposta tentativa de pressionar o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky a investigar Hunter Biden, filho de Joe Biden, adversário político de Trump. A Câmara aprovou o impeachment em dezembro daquele ano, mas o Senado o absolveu em fevereiro de 2020.Quer mais notícias internacionais? Acesse o canal do DOL no WhatsApp.A segunda tentativa ocorreu em janeiro de 2021, após a invasão do Capitólio por apoiadores do republicano, em 6 de janeiro, durante a tentativa de impedir a confirmação da vitória eleitoral de Joe Biden. Acusado de incitação à insurreição, Trump voltou a ser absolvido em fevereiro. Com isso, tornou-se o primeiro presidente norte-americano a enfrentar dois processos de impeachment.Maioria democrata não garante afastamentoPara Josemar Franco, especialista em Comércio Internacional da BMJ Consultores, a abertura de um novo processo não é necessariamente o caminho mais provável neste momento. O principal obstáculo está na exigência constitucional de apoio de dois terços dos senadores, ou seja, 67 votos, para que o presidente seja condenado e afastado."É óbvio que ainda é necessário que a gente aguarde os próximos desdobramentos dessa maioria democrata tanto na Câmara dos Deputados como no Senado", afirma Franco. Ele lembra que a Constituição norte-americana prevê impeachment em casos de traição, suborno ou outros crimes graves e contravenções, embora a interpretação dessas situações permita certa margem de subjetividade.A professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Cristina Pecequilo, também considera difícil uma destituição. Na avaliação dela, seria necessário um episódio de grande gravidade, capaz de representar uma ameaça à segurança dos Estados Unidos, ou uma ruptura significativa entre Trump e integrantes do próprio Partido Republicano. "Ou que os republicanos independentes se unissem contra Trump e votassem contra os democratas", explica.Oposição pode priorizar economiaCristina ressalta que ainda é cedo para prever uma nova tentativa de impeachment. Segundo ela, os dois processos anteriores não conseguiram retirar Trump da Presidência e acabariam reforçando a narrativa política do republicano. "Os democratas precisam avaliar se realmente vale a pena", pondera.Franco avalia que a prioridade da oposição deve ser apresentar resultados concretos à população, especialmente nas áreas de custo de vida e combate à inflação. Em vez de concentrar esforços na tentativa de afastar Trump, os parlamentares democratas podem ampliar a fiscalização do governo, questionar decisões presidenciais e trabalhar pela aprovação de medidas econômicas.O especialista acredita que a administração Trump continuará implementando políticas presidenciais, mas terá de enfrentar uma supervisão mais rigorosa do Congresso. Assim, embora a nova composição legislativa represente um desafio político para o presidente, a possibilidade de impeachment dependerá de uma articulação muito mais ampla do que a simples conquista da maioria democrata.
Fonte original: http://dol.com.br/noticias/mundo-noticias/967437/trump-pode-sofrer-impeachment-apos-derrotas-no-congresso-dos-eua
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