A Universidade Federal do Pará (UFPA) manifestou solidariedade à Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) após um incêndio atingir laboratórios da instituição pernambucana na noite de 7 de outubro, comprometendo pesquisas científicas. Em nota divulgada nesta quinta-feira (8), a reitoria da UFPA expressou apoio a estudantes, professores, técnicos e demais integrantes da comunidade acadêmica afetados pelo ocorrido.No comunicado, a universidade paraense destacou os impactos do episódio para os pesquisadores e para o desenvolvimento científico brasileiro, ressaltando que os trabalhos realizados nas instituições públicas dependem de anos de dedicação, investimentos contínuos e infraestrutura adequada.UFPA destaca impacto para a ciência brasileiraA UFPA ressaltou que as universidades públicas desempenham papel fundamental na formação de pesquisadores e na produção de conhecimento em diferentes áreas. Os estudos desenvolvidos nesses espaços contribuem para o enfrentamento de desafios como doenças, problemas ambientais e desigualdades sociais.Segundo a instituição, a perda de equipamentos, estruturas e materiais de pesquisa pode interromper projetos, comprometer trajetórias acadêmicas e atrasar descobertas que beneficiariam a sociedade.Universidade defende investigação e recuperação da estruturaNa manifestação, a reitoria da UFPA também defendeu uma investigação rigorosa para esclarecer as causas do incêndio na UFPE. A instituição destacou a importância do apoio do poder público para recuperar as instalações atingidas e assegurar a retomada das pesquisas.A universidade paraense reforçou ainda que proteger a ciência produzida nas instituições públicas é essencial para o desenvolvimento nacional e para a soberania do país.Ao encerrar a nota, a UFPA reiterou seu apoio à comunidade acadêmica pernambucana e reafirmou o compromisso com a defesa da educação pública e do patrimônio científico brasileiro.

Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Universidade Federal do Pará (@ufpa_oficial)Entenda os três incêndios registrados na UFPEA Universidade Federal de Pernambuco registrou três incêndios em laboratórios entre 30 de setembro e 7 de outubro. As ocorrências atingiram diferentes setores da instituição, provocaram danos materiais e comprometeram pesquisas científicas. Até o momento, as causas dos episódios não foram totalmente esclarecidas.30 de setembro: incêndio em laboratório de FísicaO primeiro caso aconteceu na tarde de 30 de setembro, em um laboratório do Departamento de Física, vinculado ao Centro de Ciências Exatas e da Natureza (CCEN). Segundo a UFPE, a suspeita inicial era de que o fogo tivesse começado em um forno mufla, equipamento utilizado para aquecer substâncias a altas temperaturas. As chamas começaram por volta das 13h30, durante a manipulação de um produto químico.Quer ler mais notícias do Brasil? Acesse o canal do DOL no WhatsApp!Funcionários tentaram controlar o fogo com extintores, mas não conseguiram conter as chamas. O Corpo de Bombeiros foi acionado, e a área acabou isolada devido à fumaça e à presença de substâncias químicas. O incêndio danificou tubulações, e o fornecimento de energia foi interrompido para permitir a avaliação e os reparos. Não houve feridos.A hipótese envolvendo o forno mufla foi tratada como uma suspeita inicial, sem confirmação definitiva. Segundo o reitor da UFPE, o laboratório foi perdido, e os prejuízos ainda estavam sendo avaliados.4 de outubro: fogo atinge laboratório de BiociênciasCinco dias depois, em 4 de outubro, outro incêndio atingiu parte do Laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, no Centro de Biociências da universidade. A ocorrência provocou danos materiais, mas não deixou vítimas. Até o momento, não foram divulgadas conclusões sobre a causa do fogo nem evidências de ligação com o primeiro episódio.O laboratório desenvolve pesquisas sobre genética, citogenética vegetal e evolução de plantas, além de realizar análises moleculares e estudos que utilizam técnicas como sequenciamento de DNA e citometria de fluxo.7 de outubro: terceiro incêndio provoca grandes prejuízosO caso mais grave ocorreu na noite de 7 de outubro, em um prédio da Cidade Universitária, nas proximidades da Casa do Estudante. O fogo começou por volta das 20h e foi controlado no fim da noite, com o apoio de cinco viaturas do Corpo de Bombeiros.De acordo com a UFPE, as chamas se espalharam rapidamente devido aos materiais armazenados no local. Foram perdidos equipamentos, amostras científicas e dados guardados em computadores. O imóvel, que abrigava laboratórios voltados a pesquisas sobre fármacos, genética, inovação terapêutica e informática, também concentrava estudos relacionados a doenças e condições como câncer, obesidade, Covid-19, TDAH e autismo.No térreo, funcionavam dois laboratórios com nível de biossegurança 3 (NB3), estruturas que seguem protocolos rigorosos para a manipulação de agentes capazes de provocar doenças graves.O reitor Alfredo Gomes estimou em cerca de R$ 100 milhões os prejuízos com equipamentos, insumos e materiais do primeiro andar. O valor não inclui os danos no térreo, onde estavam os laboratórios NB3, nem as perdas provocadas pelos dois incêndios anteriores.Segundo Gomes, aproximadamente 80 dissertações de mestrado e teses de doutorado estavam em desenvolvimento no prédio, que também armazenava dados acumulados ao longo de duas décadas de pesquisas. O reitor classificou as perdas científicas como irreparáveis.A universidade informou ainda que está perto de concluir um novo prédio destinado a receber parte dos laboratórios, mas os equipamentos essenciais ainda não haviam sido transferidos para o local.

Fonte original: https://dol.com.br/noticias/para/965059/ufpa-manifesta-solidariedade-a-ufpe-apos-incendio-em-laboratorios